Phudeo.

Author: Hannah  |  Category: no divã.  | 

Hoje, andando pelo bloco K me deparei com um papel colado no banquinho de madeira. Pensei que fosse aquele aviso quase semanal de “tinta fresca” [que eu, inexplicavelmente, já ignorei].

Mas dessa vez era um apelo em letras garrafais e em negrito que dizia mais ou menos o seguinte:

“quem encontrou uma pasta preta com um notebook contendo minha monografia favor entrar em contato com sr. Fulano com urgência.”

E  eu que pensava que tinha problemas. Espero que no próximo semestre o Murphy esqueça de mim e da minha mono.

[O gerúndio

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     é o parente mais próximo da procrastinação, deixa tudo inacabado e me cansa de tanto esperar.]

volvi.

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04 de abril de 2009 e agora é que chega, enfim, o 1º post do ano.

[Abandono, de fato]

É tempo demais sem um desabafo em linhas! Tinha era esquecido da falta que isso aqui me faz.

 

E sim, muita coisa me aconteceu. (incontestavelmente). Terminou um semestre e começou outro, que daqui a pouco vai terminar de novo (o que já me deixa a beira de um ataque, sofrendo da inevitável Tensão Pré-Monográfica).  Dias ruins, dias bons, euforia, tristeza,  planos, tentativas, surpresas, lembranças, superações,  limitações, acertos, erros, encontros, aborrecimentos(…). E o estranho sentimento de não ter mudado tanto assim.

 

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Mera constatação.

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-

minha pequena listinha precisava que o dia tivesse 48 horas pra sair da condição de ‘inatingível’.

fim de semestre é uó.

-

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-pra desabafar:
Nunca pensei que fosse sentir tanta falta das minhas tardes de lunes a jueves.

-pra relembrar minha total aversão aos números [sim, é um eufemismo]:
na terça-feira recebi a prova de processo do trabalho e descobri que não sei [mais] contar.

-pra ficar em dúvida:
caminhar do bloco M pro bloco Z  2x por semana vale como atividade física?  [é o cúmulo do sedentarismo, I know.]

-pra exercitar os músculos das bochechas:
comer pipoca doce tamanho G todo dia no intervalo.

-pra colocar no repeat e se passar de cantante por la calle:

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Ás vezes eu tenho saudade de mim.

Saudade até das minhas preocupações e medos que tanto me atormentavam -  eu mal sabia o quanto eram pequenos.

Dos meus planos absurdamente fantásticos e da certeza que eu tinha de que se tornariam reais - num breve meio distante, mas se tonariam.

Saudade de quando eu pensava que aos 20 anos eu teria atingido o auge da maturidade. [hahahah]

Saudade do que fui,  do que achei que fosse, do que já quis e tive, do que queria e perdi. Saudade do já foi.

- Alguém aí tem a cura pra nostalgia? A situação aqui já é patológica.

Pedaços de mim

Author: Hannah  |  Category: no divã.  | 

[11 p.m]

Precisava de uma foto 3×4 pra colar naquela ficha de inscrição. Tinha umas 3 ou mais guardadas. Isso era certeza. Só não sabia onde. E a primeira idéia que me veio foi : procurar nas quatro caixas que eu tenho no armário. Era possível mesmo que estivesse na mais antiga - ultimamente tinha colocado mil coisas ali sem nem abrir direito, quase que automaticamente.

E quando abri me deparei com tantas coisas…Coisas que me remeteram a um tempo assustadoramente distante. ‘Cara,já faz tudo isso?’
Cartas de pessoas queridas. De gente com quem convivo todos os dias, de gente que amo, de gente que eu não vejo mais. Convites pra festas que eu nem fui. Ingressos de cinema. Folhas arrancadas do caderno e da agenda do colégio, com aquelas conversinhas supersecretas de sala de aula,datadas de 2001. Cartões de aniversário. Desenhos. Frascos de perfume.Provas antigas - umas que escondi, outras que guardei sei-lá-por quê. Fotos. Dos avós, em preto e branco.De pai.Mãe.Irmã.Amigos.Fotos Minhas. E foi difícil me reconhecer ali: Pequena,brincando, sorrindo, tocando, entre os amigos, no colégio. [1987. 1993. 1997. 2000.2002.2004. 2005.2008]

Difícil também foi me convencer de que TUDO , ou pelo menos muito de mim, agora cabe naquele espaço.  Detalhes. Retratos. Retalhos. Lembranças compactadas.

 

02:25 am

Author: Hannah  |  Category: no divã.  | 

A madrugada veio e trouxe pro papel em branco umas palavras cinzas.

Não era inspiração.

Era a pura necessidade do desabafo em linhas.

Útil, vital e já tão esquecida por mim.

 

Talvez seja mesmo o fim [ou a trégua] do hiato. E do abandono disso aqui.

 

 

‘Ojalá.’

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O Tempo

Author: Hannah  |  Category: no divã.  | 

Quando a gente vê…
já é domingo de novo.
já são mais de 9 horas.
já acabou julho.
já começou outro dia.
já se está na metade do curso que parecia tão longo.

Quando a gente vê,já se passaram quase 20 anos
e nem se sabe o que sobrou daquela menina da foto
datada de mil novecentos e oitenta e pouco.

Quando a gente vê… ficou tudo no pretérito perfeito.

É PROIBIDO [Pablo Neruda]

Author: Hannah  |  Category: no divã.  | 

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

[PABLO NERUDA]